quinta-feira, 19 de junho de 2014

Línguas de Sinais Possuem Gramática?

As línguas de sinais muitas vezes são vistas por alguns indivíduos por uma ótica inferiorizante, de forma a considerar a língua falada superior e a primeira derivada e interdependente desta. Esta é uma concepção um tanto equivocada, tendo em vista que, embora as línguas audíveis e as visuo-espaciais sejam estruturalmente semelhantes, a língua de sinal é independente da oral. Devido à falta de conhecimentos, alguns também consideram impossível a existência de gramática nas línguas de sinais, quando na verdade esse tipo de linguagem também possui fonética, fonologia e morfologia, sendo que, ao invés de emitir sons – em alguns casos emitidos na língua de sinal –, são levadas em consideração as unidades mínimas dos sinais, configuração de mão, ponto de articulação, movimentação e direção da movimentação. Nesse sentido, o poder que tem uma vírgula ou até mesmo a simples entonação vocal de mudar o discernimento da conversa na comunicação oral, tem também um ponto de articulação ou uma mão configurada de forma inadequada, mesmo que timidamente, como por exemplo, a palavra laranja, que em libras, abre e fecha a mão (C + S) em frente à boca. Se esse mesmo sinal for feito na frente da testa mudará a palavra drasticamente de laranja para aprender. Outro fenômeno semelhante entre as duas linguagens é o regioanalismo, que consiste na variação de algumas palavras/sinais de uma região para outra no mesmo país. Considerando que “atualmente, as línguas de sinais são consideradas pelos linguistas como línguas naturais que compartilham princípios linguísticos assim como as línguas orais, já que possuem um léxico e uma gramática própria. ” (ROSA e BENTO, 2010, p.24), é importante que compreendamos que assim como para nós é natural a linguagem falada, para o surdo é natural a linguagem de sinal, não cabendo, por tanto, nenhuma ação de repúdio e/ou preconceito.

Referência:
ROSA, Emiliana Faria; BENTO, Nanci Araujo. Libras- Licenciatura em EAD. Salvador:
UNEB / GEAD, 2010. 56 p.

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