As línguas de sinais muitas vezes
são vistas por alguns indivíduos por uma ótica inferiorizante, de forma a
considerar a língua falada superior e a primeira derivada e interdependente
desta. Esta é uma concepção um tanto equivocada, tendo em vista que, embora as
línguas audíveis e as visuo-espaciais sejam estruturalmente semelhantes, a
língua de sinal é independente da oral. Devido à falta de conhecimentos, alguns
também consideram impossível a existência de gramática nas línguas de sinais,
quando na verdade esse tipo de linguagem também possui fonética, fonologia e
morfologia, sendo que, ao invés de emitir sons – em alguns casos emitidos na
língua de sinal –, são levadas em consideração as unidades mínimas dos sinais,
configuração de mão, ponto de articulação, movimentação e direção da
movimentação. Nesse sentido, o poder que tem uma vírgula ou até mesmo a simples
entonação vocal de mudar o discernimento da conversa na comunicação oral, tem
também um ponto de articulação ou uma mão configurada de forma inadequada,
mesmo que timidamente, como por exemplo, a palavra laranja, que em libras, abre
e fecha a mão (C + S) em frente à boca. Se esse mesmo sinal for feito na frente
da testa mudará a palavra drasticamente de laranja para aprender. Outro
fenômeno semelhante entre as duas linguagens é o regioanalismo, que consiste na
variação de algumas palavras/sinais de uma região para outra no mesmo país.
Considerando que “atualmente, as línguas de sinais são consideradas pelos
linguistas como línguas naturais que compartilham princípios linguísticos assim
como as línguas orais, já que possuem um léxico e uma gramática própria. ”
(ROSA e BENTO, 2010, p.24), é importante que compreendamos que assim como para
nós é natural a linguagem falada, para o surdo é natural a linguagem de sinal,
não cabendo, por tanto, nenhuma ação de repúdio e/ou preconceito.
Referência:
ROSA, Emiliana Faria; BENTO, Nanci Araujo. Libras- Licenciatura em EAD. Salvador:
UNEB / GEAD, 2010. 56 p.
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