O modelo de educação no qual existe contato direto entre professor e
aluno em uma sala de aula é conhecido como ensino convencional, este ocorre
presencialmente. Na Educação a Distância (EaD), também ocorre interação
professor-aluno, no entanto, essa interação não se dá fisicamente como no
modelo anterior, isto é, o processo de ensino-aprendizagem é mediado por
tecnologias de informação e comunicação (TIC), em tempo real ou não. No Brasil,
em algumas ocasiões, são necessários encontros presenciais — não
exatamente entre o professor e os alunos, pois deve haver um tutor em sala para
dar suporte nos encontros presenciais —, como em provas, estágios, apresentação
do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e algum outro caso extraordinário que
se faça necessário.
A modalidade EaD existe no Brasil a aproximadamente um século e ainda é
alvo de muitas discussões. As opiniões são diversas, muitos se posicionam a
favor, outros não aprovam esta configuração de ensino. Geralmente quem se
coloca a favor enxerga vantagens como: A aula atingirá um número maior de
estudantes, não é preciso estar no mesmo local do professor para ter acesso às
aulas, a EaD se molda perfeitamente à demanda da sociedade “sem tempo” em que
vivemos, pode ter acesso aos materiais da aula e até mesmo a aula sem sair de
casa, dentre outras.
O conceito de EaD trazido por Dohmem em 1997 enfatiza a autonomia de
aprendizagem:
Educação a Distância é uma forma sistematicamente
organizada de auto estudo onde o aluno instrui-se a partir do material de
estudo que lhe é apresentado, o acompanhamento e a supervisão do sucesso do
estudante são levados a cabo por um grupo de professores. Isto é possível
através da aplicação de meios de comunicação, capazes de vencer longas
distâncias. (DOHMEM, 1997 apud ALVES, 2011)
O fato de a EaD não exigir a presença física do aluno atribui, ao mesmo,
grande responsabilidade de gerir seus estudos com autonomia, assim, a qualidade
do processo de aprendizagem depende fundamentalmente do próprio aluno. Esse
autodidatismo pode ter um impacto negativo em nossa sociedade, pelo fato de
alimentarmos uma cultura de preguiça e menoridade intelectual, em que muitas
pessoas buscam apenas aquilo que lhe é mandado e não extrapolam os conteúdos
que lhes são disponibilizados. Esta é uma questão que também deve ser
considerada na modalidade presencial, é de fundamental importância ir além do
que é mostrado em sala se quiser formar conhecimentos perspicazes.
LINHA DO TEMPO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO
BRASIL
Como já explanado, a EaD está presente em nosso país a mais ou menos um
século, embasado em Alves (2011) segue a baixo a trajetória da Educação a
Distância no Brasil:
DATA
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ACONTECIMENTO
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1904
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Profissionalização em datilografia por
correspondência
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1923
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Criação da Radio Sociedade do Rio de Janeiro que
oferecia cursos de Português, Francês, Silvicultura, Literatura Frances,
Esperanto, Radiotelegrafia e Telefonia. Tudo via rádio.
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1934
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Instalação de rádio na Escola Municipal do Rio
que oferecia acesso prévio aos esquemas de aula, além da utilização de
correspondências.
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1939
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Surge o Instituto Monitor em São Paulo,
oferecendo cursos profissionalizantes por correspondência.
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1941
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Fundação do Instituto Universal Brasileiro que
também oferecia cursos sistematicamente. Surge também a primeira Universidade
do Ar, que durou até 1944.
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1959
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A Diocese de Natal-RN, cria escolas radiofônicas
que originam o Movimento de Educação de Base (MEB).
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1983
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O SENAC desenvolve programas radiofônicos que
orientam a pratica profissional no comércio, denominada “Abrindo Caminhos”.
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1991
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Implementação do programa Um Salto para o Futuro
– parceria da TVE do Rio de Janeiro com a Secretaria Estadual de Educação
para a formação continuada de professores e alunos de magistério.
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1992
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Criação da Universidade Aberta do Brasil (Lei
403/92);
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1994
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Lançamento do Telecurso 2000 para o ensino de 1º
e 2º graus, pela Fundação Roberto Marinho e a Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo;
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1995
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Criação, pelo Governo Federal, do TV Escola;
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1996
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Ministério da Educação cria a Secretaria de
Educação a Distância (SEED) permitindo que a EaD surja oficialmente no Brasil
sob a égide da lei nº 9.394/96.
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1997
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Criação do Canal Futura, pela Fundação Roberto
Marinho.
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2000
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É criada a Universidade Virtual Pública do Brasil
(UniRede), um consórcio de 70 instituições públicas de ensino superior, cujo
objetivo é democratizar o acesso à educação de qualidade por meio da oferta
de cursos à distância.
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2002
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O CEDERJ é incorporado a Fundação Centro de Ciências
de Educação Superior a Distância no Rio de Janeiro (Fundação CEICIERJ)
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2004
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O MEC implanta vários cursos de formação inicial
e continuada para professores da rede pública por meio da EaD.
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2005
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É criado o Sistema Universidade Aberta do Brasil
– UAB, voltado para o desenvolvimento da modalidade de Educação a Distância,
com a finalidade de expandir e interiorizar a oferta de cursos e programas de
educação superior no País e referendado pelo Decreto nº 5.800, de 8 de junho
de 2006.
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2006
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Entra em vigor o decreto nº 5.773/06 (avaliação
das instituições de Educação Superior, inclusive as EaD)
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2007
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Entra em vigor o decreto nº 6.303/07 (altera
decreto 5.622 que estabelece Diretrizes e Bases da Educação Nacional)
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2008
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Em São Paulo uma lei permite até 20% do ensino
médio a distância
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2009
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Entra em vigor a portaria nº 10, de 02 de Julho
de 2009 (fixa critérios para avaliação in
loco)
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2011
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A Secretaria de Educação a Distância é extinta.
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Referências
ALVES, Lucineia. Educação
a Distância: conceitos e história no Brasil e no mundo. Abed. 2011, vol.
11. Disponível em: http://www.abed.org.br/revistacientifica/revista_pdf_doc/2011/artigo_07.pdf.
Acesso em: 01 de Out. de 2014.
Tecnologias Educacionais. Linha do Tempo da Educação a Distância no Brasil. Disponível em: http://novastecnologiaseducam.blogspot.com.br/2010/05/linha-do-tempo-da-educacao-distancia-no.html.
Acesso em: 15 de Set. de 2014.
