sexta-feira, 22 de abril de 2016

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA


O modelo de educação no qual existe contato direto entre professor e aluno em uma sala de aula é conhecido como ensino convencional, este ocorre presencialmente. Na Educação a Distância (EaD), também ocorre interação professor-aluno, no entanto, essa interação não se dá fisicamente como no modelo anterior, isto é, o processo de ensino-aprendizagem é mediado por tecnologias de informação e comunicação (TIC), em tempo real ou não. No Brasil, em algumas ocasiões, são necessários encontros presenciais ­­­­­­­­— não exatamente entre o professor e os alunos, pois deve haver um tutor em sala para dar suporte nos encontros presenciais —, como em provas, estágios, apresentação do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e algum outro caso extraordinário que se faça necessário.

A modalidade EaD existe no Brasil a aproximadamente um século e ainda é alvo de muitas discussões. As opiniões são diversas, muitos se posicionam a favor, outros não aprovam esta configuração de ensino. Geralmente quem se coloca a favor enxerga vantagens como: A aula atingirá um número maior de estudantes, não é preciso estar no mesmo local do professor para ter acesso às aulas, a EaD se molda perfeitamente à demanda da sociedade “sem tempo” em que vivemos, pode ter acesso aos materiais da aula e até mesmo a aula sem sair de casa, dentre outras.

O conceito de EaD trazido por Dohmem em 1997 enfatiza a autonomia de aprendizagem:

Educação a Distância é uma forma sistematicamente organizada de auto estudo onde o aluno instrui-se a partir do material de estudo que lhe é apresentado, o acompanhamento e a supervisão do sucesso do estudante são levados a cabo por um grupo de professores. Isto é possível através da aplicação de meios de comunicação, capazes de vencer longas distâncias. (DOHMEM, 1997 apud ALVES, 2011)
O fato de a EaD não exigir a presença física do aluno atribui, ao mesmo, grande responsabilidade de gerir seus estudos com autonomia, assim, a qualidade do processo de aprendizagem depende fundamentalmente do próprio aluno. Esse autodidatismo pode ter um impacto negativo em nossa sociedade, pelo fato de alimentarmos uma cultura de preguiça e menoridade intelectual, em que muitas pessoas buscam apenas aquilo que lhe é mandado e não extrapolam os conteúdos que lhes são disponibilizados. Esta é uma questão que também deve ser considerada na modalidade presencial, é de fundamental importância ir além do que é mostrado em sala se quiser formar conhecimentos perspicazes.

LINHA DO TEMPO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO BRASIL

            Como já explanado, a EaD está presente em nosso país a mais ou menos um século, embasado em Alves (2011) segue a baixo a trajetória da Educação a Distância no Brasil:
DATA
ACONTECIMENTO
1904
Profissionalização em datilografia por correspondência
1923
Criação da Radio Sociedade do Rio de Janeiro que oferecia cursos de Português, Francês, Silvicultura, Literatura Frances, Esperanto, Radiotelegrafia e Telefonia. Tudo via rádio.
1934
Instalação de rádio na Escola Municipal do Rio que oferecia acesso prévio aos esquemas de aula, além da utilização de correspondências.
1939
Surge o Instituto Monitor em São Paulo, oferecendo cursos profissionalizantes por correspondência.
1941
Fundação do Instituto Universal Brasileiro que também oferecia cursos sistematicamente. Surge também a primeira Universidade do Ar, que durou até 1944.
1959
A Diocese de Natal-RN, cria escolas radiofônicas que originam o Movimento de Educação de Base (MEB).
1983
O SENAC desenvolve programas radiofônicos que orientam a pratica profissional no comércio, denominada “Abrindo Caminhos”.
1991
Implementação do programa Um Salto para o Futuro – parceria da TVE do Rio de Janeiro com a Secretaria Estadual de Educação para a formação continuada de professores e alunos de magistério.
1992
Criação da Universidade Aberta do Brasil (Lei 403/92);
1994
Lançamento do Telecurso 2000 para o ensino de 1º e 2º graus, pela Fundação Roberto Marinho e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo;
1995
Criação, pelo Governo Federal, do TV Escola;
1996
Ministério da Educação cria a Secretaria de Educação a Distância (SEED) permitindo que a EaD surja oficialmente no Brasil sob a égide da lei nº 9.394/96.
1997
Criação do Canal Futura, pela Fundação Roberto Marinho.
2000
É criada a Universidade Virtual Pública do Brasil (UniRede), um consórcio de 70 instituições públicas de ensino superior, cujo objetivo é democratizar o acesso à educação de qualidade por meio da oferta de cursos à distância.
2002
O CEDERJ é incorporado a Fundação Centro de Ciências de Educação Superior a Distância no Rio de Janeiro (Fundação CEICIERJ)
2004
O MEC implanta vários cursos de formação inicial e continuada para professores da rede pública por meio da EaD.
2005
É criado o Sistema Universidade Aberta do Brasil – UAB, voltado para o desenvolvimento da modalidade de Educação a Distância, com a finalidade de expandir e interiorizar a oferta de cursos e programas de educação superior no País e referendado pelo Decreto nº 5.800, de 8 de junho de 2006.
2006
Entra em vigor o decreto nº 5.773/06 (avaliação das instituições de Educação Superior, inclusive as EaD)
2007
Entra em vigor o decreto nº 6.303/07 (altera decreto 5.622 que estabelece Diretrizes e Bases da Educação Nacional)
2008
Em São Paulo uma lei permite até 20% do ensino médio a distância
2009
Entra em vigor a portaria nº 10, de 02 de Julho de 2009 (fixa critérios para avaliação in loco)
2011
A Secretaria de Educação a Distância é extinta.


Referências

ALVES, Lucineia. Educação a Distância: conceitos e história no Brasil e no mundo. Abed. 2011, vol. 11. Disponível em: http://www.abed.org.br/revistacientifica/revista_pdf_doc/2011/artigo_07.pdf. Acesso em: 01 de Out. de 2014.


Tecnologias Educacionais. Linha do Tempo da Educação a Distância no Brasil. Disponível em: http://novastecnologiaseducam.blogspot.com.br/2010/05/linha-do-tempo-da-educacao-distancia-no.html. Acesso em: 15 de Set. de 2014.

sábado, 26 de julho de 2014

Poema "A língua em verso"



Poema produzido para falar sobre linguagem, em uma apresentação de seminário na disciplina
 de  Ensino da Língua Portuguesa


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Línguas de Sinais Possuem Gramática?

As línguas de sinais muitas vezes são vistas por alguns indivíduos por uma ótica inferiorizante, de forma a considerar a língua falada superior e a primeira derivada e interdependente desta. Esta é uma concepção um tanto equivocada, tendo em vista que, embora as línguas audíveis e as visuo-espaciais sejam estruturalmente semelhantes, a língua de sinal é independente da oral. Devido à falta de conhecimentos, alguns também consideram impossível a existência de gramática nas línguas de sinais, quando na verdade esse tipo de linguagem também possui fonética, fonologia e morfologia, sendo que, ao invés de emitir sons – em alguns casos emitidos na língua de sinal –, são levadas em consideração as unidades mínimas dos sinais, configuração de mão, ponto de articulação, movimentação e direção da movimentação. Nesse sentido, o poder que tem uma vírgula ou até mesmo a simples entonação vocal de mudar o discernimento da conversa na comunicação oral, tem também um ponto de articulação ou uma mão configurada de forma inadequada, mesmo que timidamente, como por exemplo, a palavra laranja, que em libras, abre e fecha a mão (C + S) em frente à boca. Se esse mesmo sinal for feito na frente da testa mudará a palavra drasticamente de laranja para aprender. Outro fenômeno semelhante entre as duas linguagens é o regioanalismo, que consiste na variação de algumas palavras/sinais de uma região para outra no mesmo país. Considerando que “atualmente, as línguas de sinais são consideradas pelos linguistas como línguas naturais que compartilham princípios linguísticos assim como as línguas orais, já que possuem um léxico e uma gramática própria. ” (ROSA e BENTO, 2010, p.24), é importante que compreendamos que assim como para nós é natural a linguagem falada, para o surdo é natural a linguagem de sinal, não cabendo, por tanto, nenhuma ação de repúdio e/ou preconceito.

Referência:
ROSA, Emiliana Faria; BENTO, Nanci Araujo. Libras- Licenciatura em EAD. Salvador:
UNEB / GEAD, 2010. 56 p.

Materiais Complementares:

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A Infância Hoje

O que percebo nos tempos atuais é que as crianças tiveram sua infância roubada, mas o que me leva a pensar de tal modo? Cheguei a essa conclusão embasado em diversos fatores que emergiram entre o final do século passado e o início do corrente.
Um dos principais fatores que se pode elencar é o crescimento do acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), pois boa parte da população (sem distinções étnico-raciais, de idade ou de gênero) tem extrema facilidade de acesso a alguma TIC, dentre estas podemos destacar a televisão, que é um poderoso meio de comunicação - quiçá o mais utilizado -, e que possui uma incrível capacidade de persuasão. É aí que devemos prestar atenção, pois mesmo sendo espertas, as crianças geralmente não possuem um senso crítico apropriado para receber todo tipo de informação e conteúdos disponíveis na TV, hoje a sociedade naturaliza coisas que deveriam ser censuradas pelo menos em determinados horários, é super comum cenas de insinuações sexuais em horário nobre quando todos podem ver, inclusive crianças, assim elas crescem erotizadas podendo fomentar gravidez precoce, pervertidos sexuais, entre outras mazelas relacionadas ao assunto. 
Atualmente algumas crianças perderam o contanto físico uma com as outras, e trocaram as velhas brincadeiras como pic-esconde, amarelinha e 7 cacos, por games eletrônicos - em sua maioria com apologia à violência -, que pode resultar no adulto obeso, doente e solitário no futuro. As pessoas de hoje mudaram seus valores, muitas perderam a essência da subjetividade e deixaram de lado a dimensão humana dando importância apenas ao que é material, essa configuração social reflete de um modo muito negativo nas crianças.
Longe de mim dizer que a infância foi extinta, pois ainda se vê, mesmo que esporadicamente, crianças brincando a moda antiga nas praças e parques ou curtindo programas em família. Não quero dizer também que as tecnologias são bestas devoradoras de infância, pois ainda é possível encontrar jogos educativos e bons conteúdos na TV, o que quero chamar atenção é para o modo como essas TIC são utilizadas, pois deve ter sempre o acompanhamento de um adulto responsável. São pequenos cuidados que podem melhorar significativamente a qualidade de vida das nossas crianças e como consequência formar bons adultos.